Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, torna-se nova acionista e injeta R$ 100 milhões na holding
A holding Ypy dá um importante passo para tornar-se um grupo ainda mais competitivo no atual cenário da indústria da comunicação. Na quinta-feira passada, 27, foi assinado contrato que prevê a entrada na sociedade da Gávea Investimentos - fundo formado em 2003 pelo ex-presidente do Banco Central no segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga. De acordo com Guga Valente, presidente do Ypy, não houve venda de ações dos sócios atuais, mas sim um aumento do capital do grupo a partir do aporte de R$ 100 milhões da Gávea. Com esse movimento, nenhum acionista da holding possui hoje mais de 50% das participações. "Estamos perpetrando nosso negócio a partir desse fato, que possibilita um importante fôlego para os investimentos do grupo", afirma.
Além do novo acionista, o Grupo Ypy tem como sócios Nizan Guanaes, Guga Valente, Icatu e DDB. Com a entrada da Gávea no negócio foi formado um conselho de administração composto por Guga, Nizan, Sergio Valente (presidente da DM9DDB), Katy Almeida Braga (presidente do Grupo Icatu) e um representante da Gávea, que poderá ser o próprio Fraga. A idéia é que esse board tenha até nove componentes, formado também por conselheiros independentes.
"Não estamos fazendo nada de novo. Os grandes grupos empresariais funcionam desse jeito, e os conglomerados mundiais de comunicação fazem isso desde as décadas de 60 e 70. Estamos nos preparando cada vez mais com uma série de medidas de governança corporativa para fazer com que nossos processos sejam mais bem estruturados e nossa consolidação interna reflita esse movimento", explica Guga.
A capitalização do Ypy com o novo aporte acontece menos de dois meses após o grupo ter anunciado a incorporação de quatro novas empresas no B\Ypy, braço de serviços de marketing da holding formado a partir da compra do controle da B\Ferraz, em julho de 2006, e do qual faz parte também a Tudo. Na ocasião, já havia sido anunciada a existência de R$ 100 milhões em caixa para novas aquisições ao longo dos próximos anos. Além do B\Ypy, a holding tem seu braço de propaganda e de conteúdo.
Guga Valente afirma que o foco de crescimento na atualidade é exatamente o B\Ypy, que responde por 15% de participação no faturamento do Ypy. "Essa participação tem de triplicar em dois anos." Essa meta será o tema da primeira convenção a ser realizada pelo grupo: Com o B\Ypy se Constrói o Ypy. O evento ocorrerá no final do ano, no hotel Jequitimar, no Guarujá, e reunirá todos os funcionários das atuais 13 empresas que formam a holding. "Queremos deixar clara a nossa filosofia a todos os colaboradores, e também é uma excelente oportunidade para que todos conheçam as empresas que formam o grupo", diz Guga.
IPO distante
A receita atual do Ypy é de R$ 310 milhões, sem levar em conta as quatro novas empresas incorporadas ao negócio em agosto. Guga Valente afirma que esse volume de negócios dá um porte à companhia que tornaria possível, neste momento, abrir o capital do grupo. No entanto, a entrada da Gávea no negócio já é por si só um importante acelerador de crescimento. "Caso venhamos a detectar uma grande oportunidade de investimento no futuro, podemos ir ao mercado buscar esses recursos, mas esse é um processo que está nos nossos planos em um prazo de 12 a 24 meses apenas. Para abrir o capital e fazer o que já estamos fazendo é melhor não abrir", afirma.
Outro fator dificultador para fazer um IPO, na visão de Guga, são as diversas exigências feitas a uma empresa que quer ir à bolsa - práticas de governança, transparência de dados e ações, necessidade de montar uma área de relações com investidores, etc. -, que exigem, além de um grande investimento, uma mudança de cultura.
Mudança de nome
Guga Valente faz questão de ressaltar que a entrada da Gávea no Grupo Ypy marca o processo que chama de despersonalização, em uma clara alusão à associação imediata que a holding tem à figura de seu fundador, Nizan Guanaes.
O presidente da holding não confirma, mas nos próximos meses deverá ser anunciado um novo nome, em substituição a Ypy. Meio & Mensagem apurou que o mais provável é Grupo ABC. A nova denominação leva em conta o conceito sobre o qual está sendo construído o composto de empresas que integram a holding: "A" de advertising, "B" de below the line e "C" de content.
Diversificação é a marca da Gávea
Depois de presidir o Banco Central durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o economista Armínio Fraga fundou a Gávea Investimentos, em agosto de 2003. Antes de sua atuação na esfera pública, ele ganhou notoriedade no mercado financeiro por ter sido o braço direito de George Soros na Soros Fund Management LLC, em Nova York.
Hoje a Gávea, que fundou sem muito alarde com um grupo de amigos, investe em áreas tão distintas como café, transporte aéreo, terminais de contêineres, etanol, shopping centers, fast-food, entretenimento e, agora, comunicação.
No primeiro semestre deste ano dois lances da Gávea ganharam muita repercussão, ambos em maio. Associado ao empresário colombiano Woods Staton, Armínio Fraga participou da compra dos 1,6 mil restaurantes McDonald's no País - um negócio de US$ 700 milhões - e deixou para trás concorrentes como UBS Pactual e GP. A ação também garantiu sociedade na operação latino-americana da maior cadeia de fast-food do mundo. Logo em seguida, comprou participação majoritária na mexicana Corporación Interamericana de Entretenimiento (CIE) - que acaba de mudar seu nome para Time For Fun - nos empreendimentos do grupo no Brasil, na Argentina e no Chile, em um negócio avaliado em US$ 150 milhões.
Se depender de seu radar para bons negócios, a entrada de Armínio Fraga agora na sociedade do Grupo Ypy é mais do que um movimento auspicioso: sinaliza que agências e empresas de comunicação ainda são negócios bastante atraentes.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
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