segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Abap ataca perda de rentabilidade das agências

Enquanto isso, revisão nas regras do Cenp esteve na pauta da reunião da Fenapro, em Salvador

Um dos principais assuntos da reunião nacional da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), realizada nesta sexta-feira, 21, em Belo Horizonte, Minas Gerais, foi o processo de revisão do texto que sustenta o Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp).

O presidente da Abap, Dalton Pastore, abriu o encontro relatando aos demais membros da diretoria nacional e aos presidentes dos capítulos regionais o andamento dos trabalhos do Comitê de Revisão do Cenp.

"Não somos reacionários, nossa profissão exige que sejamos revolucionários", frisou Pastore para reafirmar que as agências não se opõem à revisão das normas-padrão, embora reconheça que houve uma mudança de planos na entidade após o processo ter se tornado público. "Os integrantes do Comitê haviam decidido tratar o tema sigilosamente para não gerar uma enorme expectativa em todo o mercado. Como o processo se tornou público, tivemos que explicar a todos o que está acontecendo", relata Pastore, referindo-se às declarações do presidente da ABA, Ricardo Bastos, publicadas por Meio & Mensagem, em sua edição de 3 de setembro.

No encontro, Pastore pediu aos presidentes dos capítulos regionais da Abap que consultem suas bases sobre as mudanças que consideram necessárias nas normas-padrão. Segundo ele, o ponto fundamental para as agências é a perda da rentabilidade sofrida nos últimos anos. "Fomos obrigados a transferir parte da comissão sobre veiculação para os anunciantes. Entretanto, eles querem mais. Não entendem o perigo que a dramática perda de rentabilidade das agências representa para a sustentação de toda a indústria da comunicação. Neste ponto há um conflito de interesses", reconhece Pastore.

Segundo ele, o Comitê de Revisão do Cenp não está discutindo temas relativos à bonificação de volume (BV). Mesmo assim, as agências fazem a defesa da manutenção da prática, tratando-a como sendo um plano de incentivo oferecido pelos veículos, como tantos outros praticados pela economia nacional. "O único crime do BV da publicidade é sua transparência, pois está regulamentado pelo Cenp", sustenta.

Por outro lado, Pastore reconhece que a remuneração de agência é um tema mal resolvido no Brasil. "Há dúvida se quem paga a agência é o anunciante ou o veículo. Se for o cliente, é preciso resolver quem vai fazer para os veículos o serviço que as agências lhes prestam hoje e que é um dos responsáveis pela independência editorial da mídia brasileira, que tem sua receita captada por mais de quatro mil agências espalhadas pelo País e, por este motivo, não precisa se render a pressões de nenhuma delas nem de seus clientes", salienta Pastore.

Fenapro discute Cenp
Ao mesmo tempo, a revisão nas regras do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp) esteve na pauta da reunião da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), realizada em Salvador, na Bahia, nesta quinta e sexta-feiras, 20 e 21, com as presenças de sua diretoria nacional e de presidentes de Sindicatos Estaduais das Agências de Propaganda (Sinapros). "Discutimos o que gostaríamos de ver alterado e quais serão nossas contribuições, a serem levadas ao Comitê de Revisão do Cenp. A Fenapro e a Abap estão atuando de forma alinhada neste processo", ressalta Saint'Clair de Vasconcelos, vice-presidente da Fenapro e sócio da Contexto Propaganda.

As agências têm direito a duas cadeiras entre as seis que compõem o Comitê de Revisão, também integrado por dois anunciantes e dois executivos de veículos. Os representantes das agências são Bob Vieira da Costa (da NovaS/B, pela Abap) e Antonio Lino Pinto (da Talent, pela Fenapro).

Segundo Vasconcelos, a maioria das alterações nas normas-padrão foi proposta até o momento pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), entidade que provocou o atual processo de revisão. "Estamos apresentando aos presidentes dos sindicatos estaduais as reivindicações da ABA", informa Vasconcelos.

A Fenapro também aproveitou a reunião para lançar oficialmente as novas marcas da entidade e dos sindicatos regionais. Elas foram criadas pela agência paulistana Contexto, com o objetivo de modernizar a imagem das instituições e instituir um único padrão visual em todo o País.

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